O ukulele em sua afinação mais comum usa as notas G C E A, ou Sol, Dó, Mi e Lá.
Nesta página você pode escolher uma escala e uma tonalidade para visualizar suas notas diretamente no braço do instrumento. O diagrama também pode mostrar os graus da escala, facilitando o estudo de intervalos e a transposição para outros tons.
A afinação reentrante
Em muitos ukuleles, a corda G usa a chamada afinação reentrante.
Isso significa que o G não é a corda mais grave do instrumento. Na afinação com high G, a sequência de alturas não sobe continuamente de uma corda para a outra como acontece em instrumentos de afinação linear.
Essa característica influencia bastante a maneira como melodias, escalas e acordes soam no ukulele.
Ela não muda, porém, quais notas pertencem a uma escala. Um G continua sendo um G independentemente da oitava em que aparece.
Por isso, o diagrama consegue mostrar corretamente as notas da escala mesmo quando a ordem das alturas entre as cordas não é linear.
High G e Low G
Nem todo ukulele utiliza a quarta corda aguda.
Alguns instrumentos são afinados com low G, em que a corda G fica uma oitava abaixo da versão reentrante.
Os nomes das notas no braço continuam os mesmos:
G – C – E – A
O que muda é a oitava da quarta corda e, consequentemente, a direção melódica de determinadas frases.
Para estudar relações de notas, escalas e graus, o mesmo mapa continua válido. Para estudar registro e movimento melódico, é importante saber se o instrumento usa high G ou low G.
Como estudar escalas no braço
Comece escolhendo uma tonalidade e localizando todas as ocorrências da tônica.
Depois observe os demais graus ao redor dela.
Em vez de memorizar o braço inteiro de uma vez, escolha uma pequena região e identifique:
- onde estão as tônicas;
- quais notas fazem parte da escala;
- onde aparecem a terça e a quinta;
- como a escala continua nas cordas vizinhas;
- quais notas aparecem novamente em outras oitavas.
Depois conecte essa região às posições imediatamente acima e abaixo no braço.
Nomes das notas e graus
O diagrama pode ser lido pelos nomes das notas ou pelos graus da escala.
Em Dó maior, por exemplo:
C – D – E – F – G – A – B
corresponde a:
1 – 2 – 3 – 4 – 5 – 6 – 7
Os nomes mostram quais notas você está tocando. Os graus mostram a função dessas notas dentro da tonalidade.
Essa segunda leitura é especialmente útil para transposição. Uma frase construída com os graus 1 – 3 – 5 – 6, por exemplo, mantém a mesma relação em qualquer tom.
Relação com o violão
Quem já toca violão encontra no ukulele uma organização familiar.
As quatro cordas G C E A possuem a mesma sequência de intervalos das quatro cordas mais agudas do violão D G B E, apenas transpostas para outra altura.
Por isso, muitos desenhos de acordes e intervalos podem ser reconhecidos nos dois instrumentos.
Uma maneira prática de visualizar essa relação é imaginar as quatro cordas mais agudas do violão com um capotraste na quinta casa.
Essa comparação ajuda a transferir conhecimento entre os instrumentos, mas a afinação reentrante do ukulele muda o registro da quarta corda e precisa ser considerada ao tocar melodias.
Escalas importantes para começar
Algumas escalas são especialmente úteis para começar a conhecer o braço:
- escala maior;
- escala menor natural;
- pentatônica maior;
- pentatônica menor;
- escala blues;
- menor harmônica.
A pentatônica é uma boa escolha inicial porque possui poucas notas e facilita enxergar os intervalos em diferentes regiões do braço.
Depois, compare o desenho com uma escala de sete notas e observe quais graus foram acrescentados.
Escalas e acordes
Uma escala também pode ser usada para localizar as notas de um acorde.
Em uma escala maior, os graus 1, 3 e 5 formam a tríade maior da tonalidade.
Em Dó maior:
C – E – G
corresponde a:
1 – 3 – 5
Reconhecer essas notas dentro da escala ajuda a relacionar melodias e acordes e a entender por que determinadas notas soam mais estáveis sobre uma harmonia.
O efeito da afinação reentrante nas melodias
No high G, tocar as cordas simplesmente em ordem não significa necessariamente produzir uma sequência crescente de alturas.
Por isso, ao praticar escalas, vale observar não apenas o desenho no braço, mas também ouvir a direção real da melodia.
Experimente tocar a mesma sequência de notas por caminhos diferentes. Em alguns casos, mudar de corda mantém o desenho simples, mas desloca a nota para outra oitava.
Essa é uma das características que dá ao ukulele sua sonoridade particular.
Quantidade de casas e marcadores
Ukuleles podem ter diferentes comprimentos de escala e diferentes quantidades de casas, dependendo do tamanho e do modelo.
Soprano, concert e tenor, por exemplo, não precisam terminar na mesma casa.
Os marcadores do braço também variam entre fabricantes. Casas como 5, 7, 10 e 12 são comuns, mas não constituem uma regra absoluta.
Se o diagrama mostrar mais casas do que o seu instrumento possui, basta considerar apenas a região disponível no seu ukulele.
Use o diagrama como mapa
Não existe apenas uma posição correta para tocar uma escala.
Escolha uma tônica, encontre diferentes maneiras de chegar à oitava e observe como os mesmos graus aparecem em várias regiões do braço.
Depois altere a tonalidade e veja quais relações permanecem iguais.
O objetivo é deixar de depender de um único desenho decorado e começar a reconhecer notas, intervalos e funções em qualquer parte do instrumento.